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Data de Cadastro: 27/08/2013 as 13:26:39
alterado em 27/08/2013 as 13:28:15
Pesquisa Vigitel, do Ministério da Saúde, revela que 51% da
população brasileira está acima do peso. Em 2006, percentual era de 43%.
Homens são maioria, 54%. Nas mulheres, o índice chega a 48%
Dados inéditos do Ministério da Saúde revelam que, pela primeira vez, o
percentual de pessoas com excesso de peso supera mais da metade da
população brasileira. A pesquisa Vigitel 2012 (Vigilância de Fatores de
Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) mostra
que 51% da população (acima de 18 anos) está acima do peso ideal. Em
2006, o índice era de 43%.Entre os homens, o excesso de peso atinge 54% e
entre as mulheres, 48%.
O estudo inédito também revela que a obesidade cresceu no país,
atingindo o percentual de 17% da população. Em 2006, quando os dados
começaram a ser coletados pelo Ministério, o índice era de 11%. O
aumento atinge tanto a população masculina quanto a feminina. Na
primeira edição da pesquisa, 11% dos homens e 11% das mulheres estavam
obesos.
Atualmente, 18% das mulheres estão obesas. Entre os homens, a
obesidade é de 16%.
O estudo retrata os hábitos da população e é um importante instrumento
para desenvolver políticas públicas de saúde e estimular os hábitos
saudáveis. Nesta edição, foram entrevistados 45,4 mil pessoas em todas
as capitais e no Distrito Federal, entre julho de 2012 a fevereiro de
2013.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que os dados servem de
alerta para que toda a sociedade se articule para controlar o aumento da
obesidade e do sobrepeso no país.
“Os dados reforçam que a hora é
agora. Se não tomarmos - o conjunto da sociedade, familiares, trabalho,
agentes de governo -, as medidas necessárias, se não agirmos agora,
corremos o risco de chegar a patamares de obesidade como os do Chile e
dos Estados Unidos. Por isso temos que agir fortemente", disse.
ALIMENTAÇÃO - Apesar de a obesidade estar relacionada a
fatores genéticos, há importante influência significativa do
sedentarismo e de padrões alimentares inadequados no aumento dos índices
brasileiros. Forte aliado na prevenção de doenças crônicas não
transmissíveis, o consumo de frutas e hortaliças está sendo deixado de
lado por uma boa parte dos brasileiros.
Apenas 22,7% da população ingerem a porção diária recomendada pela
Organização Mundial da Saúde (OMS), de cinco ou mais porções ao dia.
Outro indicador que preocupa é o consumo excessivo de gordura saturada:
31,5% da população não dispensam a carne gordurosa e mais da metade
(53,8%) consome leite integral regularmente.
Os refrigerantes também têm
consumidores fieis - 26% dos brasileiros tomam esse tipo de bebida ao
menos cinco vezes por semana.
FASES DA VIDA – Se na faixa etária entre 18 e 24 anos,
28% da população está acima do peso ideal, a proporção quase dobra na
faixa etária dos 35 anos aos 44 anos, atingindo 55%. O percentual de
obesidade acompanha este crescimento e mais que dobra se comparados os
dois períodos: 7% para 19%, respectivamente. Com o passar dos anos, os
brasileiros também tendem a diminuir a prática da atividade física: 47%
dos jovens com idade entre 18 a 24 anos se exercitam regularmente. E
entre 35 a 44 anos, o índice cai para 31%.
O Vigitel 2012 mostra ainda que o envelhecimento da população reflete
positivamente na alimentação do brasileiro. Se entre os 18 e 24 anos
mais da metade dos homens brasileiros come carne com gordura
regularmente (48%), este índice cai para 27% entre aqueles que já
passaram dos 65 anos. O fenômeno se repete com o consumo de
refrigerante. Entre os jovens com idade entre 18 e 24 anos, 36 %
declararam tomar regularmente a bebida. Aos 65 anos, o percentual cai
para menos de um terço, ficando em 12%.
Em contrapartida, há aumento de consumo de frutas e hortaliças nas
faixas etárias superiores. Entre os 18 e 24 anos, 17% comem cinco
porções/dia e 24% cinco porções semanais. Aos 65 anos, os percentuais
aumentam para 28% e 46%, respectivamente.
ESCOLARIDADE -O Vigitel 2012 permite ainda conhecer os
hábitos dos brasileiros conforme o sexo e a escolaridade
. Frutas e
hortaliças estão presentes regularmente no cardápio de 45% dos
brasileiros que concluíram, no mínimo, 12 anos de estudo. O percentual
reduz para 29% entre as pessoas que estudaram até, no máximo, oito anos.
Se levarmos em consideração a recomendação da Organização Mundial da
Saúde (OMS) de 400 gramas diárias de frutas e hortaliças, as proporções
vão para 31% para quem tem 12 anos e mais de escolaridade e 18% para
quem não conclui o ensino fundamental ou tem menos de oito anos de
escolaridade.
A gordura saturada também é mais comum na mesa das pessoas com menos
estudo: 32% comem carne com excesso de gordura e 53% bebem leite
integral regularmente. Já entre a população com maior escolaridade, os
percentuais registrados estão abaixo da média nacional, com 27% e 47%,
respectivamente.
A pesquisa revela também que 45% da população com mais de 12 anos de
estudo praticam algum tipo de atividade física (no horário livre de
lazer). O percentual diminui para menos de um quarto da população (21%)
para quem estudou até oito anos.
Os homens (41%) são mais ativos que as
mulheres (26%). A frequência de exercícios físicos no horário de lazer
entre mulheres com mais de 12 anos de estudo (37%) é o único indicador
da população feminina que figura acima da média nacional (33%).
Para o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas
Barbosa, como o Vigitel apontou menores frequências de obesidade e
excesso de peso entre pessoas com mais anos de estudo, o crescente
aumento da escolaridade dos brasileiros registrado nos últimos anos pode
representar uma expectativa positiva em relação ao controle a esses
fatores de risco.
"De 2000 a 2010, a tendência foi um grande crescimento
do nível educacional. É um condicionante importante para a redução da
velocidade do crescimento da obesidade e do sobrepeso", disse.
COMBATE À OBESIDADE - A obesidade, o sedentarismo e má
alimentação são fatores de risco para o desenvolvimento de doenças
crônicas. Um dos objetivos do Plano de Ações Estratégicas para o
Enfrentamento das Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT), lançado em
2011, é deter o crescimento da proporção de adultos brasileiros com
excesso de peso ou com obesidade.
Em março, o
Ministério da Saúde criou a Linha de Cuidados da Atenção
Básica para excesso de peso e outros fatores de risco associados ao
sobrepeso e à obesidade até o atendimento em serviços especializados.
A
Atenção Básica proporciona diferentes tipos de tratamentos e
acompanhamentos ao usuário, o que inclui também atendimento psicológico.
A pessoa com sobrepeso (IMC igual ou superior a 25) poderá ser
encaminhada a um polo da Academia da Saúde para realização de atividades
físicas e a um Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) para receber
orientações para uma alimentação saudável e balanceada. Atualmente, 77%
dos 2.040 NASFs contam com nutricionistas; 88,6% com psicólogos e 50,4%
com professores de educação física. A evolução do tratamento deve ser
acompanhada por uma das 39,2 mil Unidades Básicas de Saúde (UBS),
presentes em todos os municípios brasileiros.
O Programa Academia da Saúde é a principal estratégia para induzir o
aumento da prática da atividade física na população. Até agora, já foram
repassados R$ 175 milhões, de um total de investimento previsto de R$
390 milhões. A iniciativa prevê a implantação de polos com
infraestrutura, equipamentos e profissionais qualificados para a
orientação de práticas corporais, atividades físicas e lazer.
Atualmente, há mais de 2,8 mil polos habilitados para construção em todo
o país e outros 155 projetos pré-existentes que foram adaptados e
custeados pelo Ministério da Saúde.
O ministro Padilha destacou a importância doe investir e ampliar o
Programa Academia de Saúde para melhorar os hábitos e ampliar a
atividade física entre os brasileiros. Por isso, vai discutir com
secretários municipais e estaduais de Saúde a ampliação deste programa.
O Ministério da Saúde investe também em ações preventivas para evitar a
obesidade em crianças e adolescentes, como o Programa Saúde na Escola
(PSE), que este ano está aberto aos municípios e passa a atender creches
e pré-escolas. São mais de 50 mil escolas que participam do programa.
Outra medida é a parceria do Ministério com Federação Nacional de
Escolas Particulares para distribuição de 18 mil Manuais das Cantinas
Escolares Saudáveis como incentivo a lanches menos calóricos e mais
nutritivos.
O Ministério também mantém acordo com a indústria para
redução do teor de sódio entre os alimentos. O acordo voluntário prevê
redução gradual de sal em 16 categorias de alimentos habituais na mesa
do brasileiro, entre eles, o famoso pão francês.
AVALIAÇÃO DO PESO IDEAL - O Índice de Massa Corporal
(IMC) é uma forma para conhecer o estado nutricional do indivíduo. Para
calculá-lo, basta dividir o peso em quilogramas pelo quadrado altura em
metros (IMC = peso / altura x altura). O IMC é apenas um indicativo
para descobrir se está no peso ideal. Outros fatores como sexo, idade,
condicionamento físico devem ser levados em conta.
Dados de excesso de peso por capital:
Capitais/DF
|
Total (%)
|
Masculino (%)
|
Feminino (%)
|
Aracaju
|
51,5
|
60
|
44,6
|
Belém
|
50,4
|
57,2
|
44,6
|
Belo Horizonte
|
48,1
|
52
|
44,7
|
Boa Vista
|
47,5
|
52,9
|
42,3
|
Campo Grande
|
56,3
|
61,4
|
51,6
|
Cuiabá
|
51,8
|
57,7
|
46,3
|
Curitiba
|
51,6
|
55,5
|
48,1
|
Florianópolis
|
48,6
|
50,2
|
47,2
|
Fortaleza
|
52,8
|
56,5
|
49,6
|
Goiânia
|
49,4
|
52,0
|
47
|
João Pessoa
|
50,9
|
55,3
|
47,3
|
Macapá
|
51,7
|
55,0
|
48,6
|
Maceió
|
52,4
|
56,4
|
49
|
Manaus
|
52
|
52,6
|
51,5
|
Natal
|
52,2
|
54,9
|
50,0
|
Palmas
|
45,3
|
53
|
38,1
|
Porto Alegre
|
54,1
|
59,9
|
49,3
|
Porto Velho
|
52,4
|
55,8
|
48,9
|
Recife
|
53,3
|
54,3
|
52,4
|
Rio Branco
|
53,9
|
57,8
|
50,3
|
Rio de Janeiro
|
52,4
|
54,7
|
50,4
|
Salvador
|
47,3
|
45,8
|
48,7
|
São Luís
|
45,3
|
52,3
|
39,5
|
São Paulo
|
52,1
|
56,1
|
48,6
|
Teresina
|
46,4
|
53,2
|
40,8
|
Vitória
|
48,0
|
55,2
|
42
|
Distrito Federal
|
46,6
|
49,3
|
44,2
|
Dados de obesidade por capital:
Capitais/DF
|
Total (%)
|
Masculino (%)
|
Feminino (%)
|
Aracaju
|
18
|
19,5
|
16,8
|
Belém
|
16,1
|
17
|
15,3
|
Belo Horizonte
|
14,5
|
13,3
|
15,5
|
Boa Vista
|
15,1
|
14,9
|
15,3
|
Campo Grande
|
21
|
19,6
|
22,3
|
Cuiabá
|
19,2
|
19,5
|
18,9
|
Curitiba
|
16,3
|
16
|
16,6
|
Florianópolis
|
15,7
|
16,2
|
15,4
|
Fortaleza
|
18,8
|
18,7
|
18,8
|
Goiânia
|
14
|
11,8
|
15,9
|
João Pessoa
|
19,9
|
21,1
|
18,9
|
Macapá
|
17,6
|
15,7
|
19,3
|
Maceió
|
19,9
|
18,5
|
21,1
|
Manaus
|
19,6
|
19,1
|
20
|
Natal
|
21,2
|
19,9
|
22,3
|
Palmas
|
15,7
|
15
|
16,4
|
Porto Alegre
|
18,4
|
17,8
|
18,9
|
Porto Velho
|
18,9
|
18,3
|
19,6
|
Recife
|
17,7
|
16,8
|
18,3
|
Rio Branco
|
21,3
|
18,5
|
23,9
|
Rio de Janeiro
|
19,5
|
17,1
|
21,5
|
Salvador
|
14,1
|
9,8
|
17,7
|
São Luís
|
13,2
|
14,2
|
12,3
|
São Paulo
|
17,8
|
17,6
|
18
|
Teresina
|
15,0
|
16,3
|
13,9
|
Vitória
|
15,5
|
17,0
|
14,2
|
Distrito Federal
|
14,3
|
13,5
|
14,9
|
IMC
|
Classificação
|
Abaixo de 18,5
|
Baixo peso
|
Entre 18,6 e 24,9
|
Peso ideal (parabéns)
|
Entre 25,0 e 29,9
|
Sobrepeso
|
Entre 30,0 e 34,9
|
Primeiro grau de obesidade
|
Entre 35,0 e 39,9
|
Segundo grau de obesidade
|
Acima de 40
|
Obesidade grave
|
Por Daniela Martins e Fabiane Schmidt – Ascom/MS
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