quarta-feira, 11 de junho de 2014

Curso técnico em SP

Publicada em 11/06/2014

São Paulo forma quase nove mil agentes comunitários de saúde

As seis escolas técnicas do SUS do estado de São Paulo — Centro de Formação de Recursos Humanos para o SUS (Cefor) Araraquara, Cefor Assis, Cefor Franco da Rocha, Cefor Osasco, Cefor Pariquera-Açú e Cefor São Paulo — formam, até o fim deste ano, 1.812 agentes comunitários de saúde na primeira etapa formativa do curso técnico. Até o momento, já foram capacitados na primeira etapa 8.750 profissionais.

O estado conta, ainda, com o Núcleo de Apoio às Escolas Técnicas do SUS (Naet), vinculado à Secretaria de Saúde de São Paulo, formado pelos pedagogos Camilo Gomes, Celi Santos, Maria José Fornazaro e Alexandra Barros. Em junho, o Naet recebeu a delegação responsável pela supervisão de ensino para as seis ETSUS de São Paulo, em um trabalho de cooperação profissional.

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domingo, 8 de junho de 2014

Episiotomia - você sabe o que é?




Pesquisa mostra que 54% das mulheres sofrem episiotomia


(Folha de S.Paulo, 03/06/2014)


 Além das alarmantes taxas de cesáreas no país, a pesquisa Nascer no Brasil, divulgada na semana passada, mostra que entre as entrevistadas que tiveram parto normal, 53,5% sofreram episiotomia, o corte entre a vagina e o ânus dado supostamente para facilitar a saída do bebê durante o parto. Assim como as cesáreas, a OMS (Organização Mundial da Saúde) não recomenda que o procedimento seja feito rotineiramente como tem acontecido no Brasil.

Profissionais que atendem suas pacientes e seus bebês de forma humanizada já aboliram a prática que, em 1999, foi descrita pelo médico americano Marsden Wagner, da OMS, como a “mutilação genital feminina”. Na semana passada, o Ministério da Saúde publicou uma portaria onde dá incentivos financeiros para os hospitais que não fizerem a prática e adotarem outras medidas para permitir respeito à parturiente e que torne o parto o mais natural possível.

A médica Melania Amorim diz que eliminou o procedimento há 12 anos e pede desculpas para todas as mulheres que foram cortadas por ela. Ela diz que vários estudos mostram que a episiotomia traz mais prejuízos do que vantagens. “A única maneira de termos um períneo íntegro é não fazendo a episiotomia”, comenta.

Mulheres que foram cortadas durante o parto relatam problemas na relação sexual e comparam a episio a um estupro por terem o órgão dilacerado (leia relatos abaixo).

As parturientes contam ainda a dor que sentiram. Por muitas vezes não serem anestesiadas, elas relatam a dor do corte feito com tesoura ou bisturi e ainda de cada um dos pontos dado durante a sutura. “Essa é uma marca que vai ficar para sempre. É a marca de uma cesárea vaginal. A sensação da mulher é de ser desrespeitada, violentada”, comenta. Hoje em dia mulheres têm entrado com ações na justiça pois a episiotomia, sem o consentimento da paciente, pode ser considerada violência obstétrica.

Melania diz que a prática passou a ser adotada de maneira rotineira em todo mundo nas décadas de 1940 e 1960. “Existia a crença de que a episio encurtava o trabalho de parto e isso contribuiu para difundir o procedimento já que as maternidades começam a seguir linha de produção com um parto atrás do outro”, comenta. Ou seja, o parto deixou de ser um evento natural e passou a ser um processo patológico que necessitava de intervenção obstétrica para evitar ou reduzir complicações.

A MBE (Medicina Baseada em Evidências) mostra que sem a episiotomia a perda de sangue é menor e que é mais fácil reparar lacerações espontâneas que normalmente são menores do que o corte da episiotomia. “A episio já é uma laceração de segundo grau”, explica.

Muitos médicos, diz a obstetra, fazem a episiotomia pois foram ensinados a fazer na faculdade e na residência. Ela diz que muitos profissionais de saúde acreditam que o corte reduz laceração grave e mantém a integridade do assoalho pélvico. “Não há nenhuma evidência falando dos benefícios, mas de prejuízos”, explica Melania sobre estudos disponíveis, desde 2000, na Biblioteca Cochrane. Mas, por que tantos médicos ainda fazem? Para a obstetra, os motivos principais são: desconhecimento das evidências e a fala “eu faço porque sempre fiz assim”.

COMO EVITAR UMA EPISIOTOMIA

O primeiro passo é a escolha do médico que vai acompanhar a gestante no parto. Se ele faz episiotomia de rotina, a chance de você ter um corte na hora do nascimento é grande. Para isso, a gestante deve procurar grupos de apoio ao parto normal que existem em várias cidades e também nas redes sociais.

A obstetra explica que se o parto não for acelerado, o próprio movimento de vaivém do bebê durante o trabalho de parto permite um períneo íntegro ou com uma laceração pequena. Melania explica que o corte não é indicado em parto pélvico (quando o bebê está sentado), nem quando há distocia de ombro e muito menos em parto instrumental, com uso de fórceps, por exemplo.

A OMS (Organização Mundial da Saúde indica a episio em apenas 10% dos partos. Nos últimos anos, a prática tem caído. No Canadá, por exemplo, era de 62% em 1993 e, em 2007, ficava em torno de 17%. Nos EUA caiu de 60%, em 1979, para 24% em 2004.

Alguns médicos e obstetrizes recomendam a massagem perineal e compressas mornas na hora do expulsivo pois ajudam a reduzir laceração de graus 3 e 4.

Apesar de nem todos os médicos acreditarem na preparação de períneo nem no uso de compressas, muitas mulheres se preparam com exercícios e massagens. Uma das opções é o epi-no (aparelho que ajuda a exercitar a musculatura da região pélvica). Para isso, a gestante deve procurar um fisioterapeuta para aprender os exercícios perineais para fortalecer essa musculatura para o trabalho de parto e o pós-parto.

CONFIRA RELATOS DE MULHERES QUE TIVERAM EPISIOTOMIA

“Lembro de sentir muita dor, muito incomodo, a sensação de estar literalmente rasgada. A dor era tamanha que nem me animei a ficar com meu bebe no colo, mesmo que a enfermeira tenha timidamente oferecido. Ah, e ainda teve a piadinha: enquanto suturava, o médico chamou meu marido pra checar tudo e estava orgulhoso em me deixar “toda novinha outra vez, bem apertadinha”, falou até que daria um ponto a mais de presente para o meu marido.” Nicole Passos

“Além da episiotomia (não me avisaram nem pediram permissão para nada) gigantesca tive laceração de 3º grau. Infeccionou, tomei antibiótico, passei 12 dias deitada porque não conseguia ficar em pé de tanta dor, um mês sem conseguir me sentar, usei o travesseirinho da humilhação por 3 meses, sexo também não lembro quando fiz, deve ter sido uns 4 ou 5 meses depois do parto. Doeu pra caramba. Doeu e ardeu.” Isabella Rusconi

“Me senti invadida, como se tivesse sido estuprada mesmo, pois tive meu órgão dilacerado e reconstruído mecanicamente.” Thielly Martins

“Mesmo gritando, urrando, berrando ‘não corta, não precisa, por favor, eu assumo, deixa rasgar’. Ela cortou. Disse que ‘só sabia fazer cortando’. Eu chorei, minha parteira chorou. Perdi. Me sinto mutilada, invadida. É como ser abusada. É a mesma coisa. Dá pra ver, dá pra sentir. Dá pra lembrar a cada ‘namoro’ com o marido.” Pamela Moreli Benoni

“E o pior a hora da episiotomia ela veio com a tesoura para cortar e eu disse não precisa, ai ela respondeu brava precisa sim e cortou duma vez sem anestesia, senti tudo, a sutura foi horrível, doeu muito, não tive nem o gosto de pegar meu bebê nos braços após o parto, mas também elas não me puseram ele no meus braços. Me senti a pior das pessoas até hoje quando recordo me da uma coisa ruim me sinto uma dor na alma, é muito ruim”.

Márcia Cristina Carro

Acesse o PDF: Pesquisa mostra que 54% das mulheres sofrem episiotomia

Veja se seu município foi contemplado

Disponibilizamos hoje, 06 de junho - 10 Novas Normas e 2 Retificações

Pelo Gabinete do Ministro - GM
PORTARIA Nº 1.222, DE 5 DE JUNHO DE 2014
Dispõe sobre as regras especiais e a competência para autorizar a concessão de diárias e passagens para deslocamentos aos servidores e empregados públicos no âmbito do Ministério da Saúde e autarquias e fundações públicas a ele vinculadas em decorrência da Copa do Mundo FIFA 2014. 

RETIFICAÇÃO
No parágrafo único do art. 1º da Portaria nº 3.148/GM/MS, de 27 de dezembro de 2011, publicada no Diário Oficial da União nº 249, de 28 dezembro de 2011, Seção 1, página 34,

Pela Secretaria de Atenção à Saúde - SAS
PORTARIA Nº 35, DE 16 DE JANEIRO DE 2014(*)
Aprova o Protocolo Clínico Diretrizes Terapêuticas da Hipertensão Arterial Pulmonar. O Secretário de Atenção à Saúde, no uso das atribuições, Considerando a necessidade de se estabelecerem parâmetros sobre a hipertensão arterial no Brasil e de diretrizes nacionais para diagnóstico, tratamento e acompanhamento dos indivíduos com esta doença;

RETIFICAÇÃO
Na Portaria nº 224/SAS/MS, de 26 de março de 2014, publicada no Diário Oficial da União nº 59, de 27 de março de 2014, Seção 1, páginas 35-39,
Pela Secretaria do Estado da Saúde - SES

DELIBERAÇÃO CIB-RJ N° 2955 DE 29 DE MAIO DE 2014
Ratificar a Proposta nº 02341.441000/1140-14, para aquisição de equipamentos e materiais permanentes, do Município de Rio das Ostras, referente a recurso de Emenda Parlamentar, destinado ao Programa da Atenção Básica de Saúde e da Assistência Ambulatorial e Hospitalar Especializada, em consonância com a Portaria nº 2198/GM/MS, de 17 de setembro de 2009.

DELIBERAÇÃO CIB-RJ N° 2956 DE 29 DE MAIO DE 2014
Ratificar a Proposta nº 02341.441000/1140-28, para aquisição de equipamentos e materiais permanentes, do Município de Rio das Ostras, referente a recurso de Emenda Parlamentar, destinado ao Programa da Atenção Básica de Saúde e da Assistência Ambulatorial e Hospitalar Especializada, em consonância com a Portaria nº 2198/GM/MS, de 17 de setembro de 2009.

DELIBERAÇÃO CIB-RJ N° 2957 DE 29 DE MAIO DE 2014
Ratificar a Proposta nº 02341.441000/1140-29 para aquisição de equipamentos e materiais permanentes, do Município de Rio das Ostras, referente a recurso de Emenda Parlamentar, destinado ao Programa da Atenção Básica de Saúde e da Assistência Ambulatorial e Hospitalar Especializada, em consonância com a Portaria nº 2198/GM/MS, de 17 de setembro de 2009.

DELIBERAÇÃO CIB-RJ N° 2958 DE 29 DE MAIO DE 2014
Ratificar a Proposta nº 09206.5100001/14-003, para aquisição de equipamentos e materiais permanentes, do Município de Paracambi, referente a recurso de Emenda Parlamentar, destinado ao Programa da Atenção Básica de Saúde e da Assistência Ambulatorial e Hospitalar Especializada, em consonância com a Portaria nº 2198/GM/MS, de 17 de setembro de 2009.

DELIBERAÇÃO CIB-RJ N° 2959 DE 29 DE MAIO DE 2014
Pactuar o credenciamento de uma (01) Equipe Multiprofissional de Atenção Domiciliar Tipo II e de uma (01) Equipe Multiprofissional de Apoio, segundo projeto de implantação do Programa Melhor em Casa do Município de São João da Barra, em conformidade com a Portaria nº 963, de 27 de maio de 2013.

DELIBERAÇÃO CIB-RJ N° 2960 DE 29 DE MAIO DE 2014
Ratificar as Propostas nºs 11892.333000/1140-02, 11892.333000/1140-03, 11892.333000/1140-04, 11892.333000/1140-05 e 11892.333000/1140-06, para aquisição de equipamentos e materiais permanentes, do Município de Quissamã, referente a recurso de Emenda Parlamentar, destinado ao Programa da Atenção Básica de Saúde e da Assistência Ambulatorial e Hospitalar Especializada, em consonância com a Portaria nº 2198/GM/MS, de 17 de setembro de 2009.

DELIBERAÇÃO CIB-RJ N° 2961 DE 29 DE MAIO DE 2014
Ratificar a Proposta nº 11892333000114001, referente à construção de UBS do Município de Quissamã, em consonância com a Portaria nº 340/GM/MS, de 04 de março de 2009. 

DELIBERAÇÃO CIB-RJ N° 2798 DE 20 DE MARÇO DE 2014
Pactuar o Projeto do Programa de Residência Profissional em Enfermagem Obstétrica da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde do Município do Rio de Janeiro.
Descrição: Descrição: http://www.rgweb.com.br/rgweb/portarias/images/cosems.png

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Receita

Posted: 29 May 2014 06:12 AM PDT
Foto: Reprodução
As cãibras musculares são movimentos involuntários dos músculos que provocam dores intensas
 
Afetando geralmente os membros inferiores, como coxa e panturrilhas, elas são causadas pela sobrecarga do músculo, desidratação ou ausência de minerais como cálcio e potássio.
 
Uma boa forma de evitá-las é através do consumo de frutas, sendo a laranja uma das melhores escolhas.
 
Por ser ótima fonte de potássio, sódio e cálcio, a laranja é um excelente alimento para ser ingerido antes e durante as atividades físicas.
 
Uma boa escolha é o suco dessa fruta, que alia suas propriedades ao fator da hidratação.
 
É importante que o consumo seja imediato, já que muitas das propriedades se perdem com o tempo de armazenamento.
 
Além de ser uma aliada contra as cãibras, a laranja tem propriedades que ajudam a prevenir doenças como pedra nos rins e infecções virais.
 
Já o chá feito com suas cascas é ótimo para combater enxaquecas e reduzir o colesterol. Vale ressaltar que os alimentos têm ação preventiva.
 
É necessário estabelecer uma rotina de consumo que permita a reposição desses sais minerais e não somente seu uso para efeito imediato.
 
O suco de laranja, quando consumido diariamente, traz benefícios que não se limitam apenas às cãibras.
 
Pela grande presença de vitamina C, já é um velho conhecido no combate a gripes e resfriados.
 
Além de uma alimentação rica, para evitar cãibras é essencial o uso de bons equipamentos como tênis para corrida e roupas adequadas, além de fazer alongamentos antes das práticas esportivas.
 
O suco de laranja pode ser feito sem espremê-las, utilizando toda a fruta no liquidificador. Dessa forma, é possível aproveitar todas as propriedades, sem perder as fibras contidas nela e ainda facilitar o trabalho.
 
Vamos ensinar uma receita fácil e prática que pode ser feita todo dia no café da manhã: o suco anticãibras de laranja e melão.
 
O melão, assim como a laranja, é uma rica fonte de potássio, mineral que contribui para garantir uma ótima contração muscular e assim diminuir a incidência das cãibras.
 
Aqui vai a receita:
 
Ingredientes
1 laranja descascada e sem sementes 2 fatias de melão Algumas folhas de hortelã a gosto
 
Modo de preparo
Bata todos os ingredientes no liquidificador até obter um suco cremoso e homogêneo.
 
As folhas de hortelã podem ser adicionadas dependendo do gosto de cada um, elas dão um toque refrescante ao suco.
 
A Cura Pela Natureza

Entenda a diferença

Tablets x ACS

Posted: 29 May 2014 04:40 PM PDT

Foto: Ribero Júnior 
 
Fotos: Ribero Júnior.
A Prefeitura Municipal por meio da Secretaria de Saúde forneceu 42 tablets aos Agentes Comunitários de Saúde de Fátima do Sul e Culturama. A entrega oficial dos equipamentos foi realizada, na manhã de ontem (28), no gabinete do prefeito, Júnior Vasconcelos (PSDB) e contou com a presença da secretaria de Saúde, Josiane Oliveira e os ACS.
Com aquisição dos tablets, os Agentes Comunitários não precisam mais preencher as fichas de papel. O investimento facilita a coleta de dados, minimizando assim a mão-de-obra.
O prefeito Júnior Vasconcelos revelou que através deste sistema, os agentes terão mais informações em relação às famílias. “Nosso intuito é aumentar a precisão do atendimento na saúde pública, além de oferecer o instrumento de trabalho necessário para que os servidores possam exercer bem o seu papel”, disse o prefeito.
Com a utilização dos tabletes os agentes poderão passar informações mais seguras e precisas para as unidades de saúde. A agente Rosana Ana de Farias aprovou o investimento e revelou a importância desta inclusão digital. 
“É um avanço para os Agentes Comunitários porque as informações serão passadas diretamente para o Ministério da Saúde. Não vamos mais passar para o Centro de Atendimento, nós mesmos vamos fazer isso”, explicou Rosana.
A secretária de Saúde, Josiane Oliveira, explicou que haverá capacitações. “Os agentes, um profissional do administrativo e a enfermeira responsável pela Unidade de Saúde passarão pelo processo de capacitação, onde receberão as instruções de como trabalhar com o sistema instalado nos tablets”, comentou Josiane.
A secretária ainda explicou que futuramente os agentes poderão agendar as consultas dos pacientes pelos tablets. “O sistema possibilita recadastramento e acompanhamento dos pacientes, mas futuramente será possível ainda o agendamento de consultas, facilitando assim a vida dos moradores”, alegou a secretaria.
O prefeito comentou que este investimento é válido. “Devemos nos esforçar para buscar maneiras para que nossos trabalhadores façam o melhor pelos pacientes, quanto mais condições, melhor será o atendimento e estamos trabalhando para oferecer qualidade de vida a todos”, finalizou o prefeito.

Foram entregues 42 tablets - Foto: Ribero Júnior.

Fonte: fatimanews

Nascer no Brasil

Brasil precisa reformular atenção ao parto

Publicada em
A Fiocruz divulgou os resultados da maior pesquisa sobre partos e nascimentos já realizada no país, a Nascer no Brasil. Coordenada pela pesquisadora da ENSP Maria do Carmo Leal, o estudo indica uma urgência em reformar o modelo de atenção ao parto e ao nascimento, tendo em vista que muitos dos desfechos adversos identificados apresentaram associação com problemas na qualidade da assistência. Os dados foram apresentados durante seminário no campus da Fundação, em 29/5, com a participação de representantes da Rede Cegonha, Opas/OMS e USP.

Maria do Carmo Leal apresentou o estudo que entrevistou 23.894 mulheres em maternidades públicas, privadas e mistas (maternidades privadas, conveniadas ao SUS) e incluiu 266 hospitais de médio e grande porte, localizados em 191 municípios, contemplando todas as capitais e também cidades do interior de todos os Estados do Brasil. A coleta de dados se iniciou em fevereiro de 2011 e terminou em outubro de 2012.

Entre os resultados expostos pela pesquisadora, podem ser destacados:

- apesar da cobertura praticamente universal no país, a atenção pré-natal foi baixa, com 60% das gestantes iniciando o pré-natal tardiamente, após a 12ª semana gestacional, e cerca de um quarto delas sem receber o número mínimo de seis consultas recomendado pelo Ministério da Saúde;

- O SUS foi responsável pelo pagamento de 80% do total de partos, os quais ocorreram em maternidades públicas e mistas, tendo os 20% restantes ocorridos no setor privado com pagamento por plano de saúde ou por desembolso direto;

- A maioria das mulheres teve seus filhos por meio de cesarianas, cirurgia realizada em 52% dos nascimentos. Ao analisar apenas o setor privado, a situação é ainda mais alarmante: 88% nasceram por meio de cesarianas. Estima-se que no país quase um milhão de mulheres todos os anos são submetidas à cesariana sem indicação obstétrica adequada;

- Entre as gestantes que tiveram parto vaginal, observou-se a predominância de um modelo de atenção extremamente medicalizado que ignora as melhores evidências científicas disponíveis;

- A mortalidade materna no Brasil ainda se encontra em níveis elevados e incompatíveis com o desenvolvimento social e econômico do país. Nos últimos 10 anos, a razão de mortalidade materna, estimada em 62 óbitos maternos para 100.000 nascidos vivos no ano 2010.


A pesquisadora encerrou sua exposição destacando que as mulheres brasileiras e seus bebês, de qualquer grupo social, estão sendo desnecessariamente expostas ao risco de efeitos adversos no parto e nascimento. As de mais elevado nível social sofrem o maior número de intervenções obstétricas, em especial a operação cesariana e dão à luz um grande número de bebês com menos de 39 semanas, perdendo assim as vantagens advindas da sua situação social. As mais pobres, atendidas no setor público, estão submetidas a partos extremamente medicalizados, dolorosos e demonstram menor satisfação com a atenção recebida.

O presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, destacou que os resultados da pesquisa a tornam um elemento fundamental na construção de novas políticas públicas e de um novo consenso social a respeito dos partos e nascimentos no país, ampliando ainda mais os compromissos do Governo Federal através de iniciativas como a Rede Cegonha. O presidente lembrou ainda que caberá à Fundação usar sua capacidade para que o estudo contribua em modificações concretas na assistência materna no Brasil.

Para a coordenadora nacional da Rede Cegonha, Maria Esther Vilela, a pesquisa mostra que é necessário mudar o paradigma de assistência do parto enquanto intervenção, para um parto enquanto cuidado, afirmando que o parto/nascimento é um ato de competência das mulheres, sendo necessário dar uma guinada no modelo vigente no país.

Ressaltando que nenhuma mulher deve morrer por conta de sua veia reprodutiva, a diretora do Centro Latino-Americano de Perinatologia, Saúde da Mulher e Reprodutiva da Opas/OMS, Suzanne Serruya, disse ser fundamental para o debate de um novo modelo de atenção em que a mulher tenha o poder, a autonomia e o pertencimento de todo o processo de nascimento de seu filho. Ainda segundo a diretora, o parto é o protagonista da história, cujo processo pertence à mulher, ao filho e à sua família.

Encerrando o seminário, o professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP João Paulo Souza lembra que a meta agora é transformar as conclusões do estudo em orientações para as políticas públicas baseadas nas evidências científicas coletadas. Para o professor, as desigualdades existentes entre gêneros são as principais causas da mortalidade materna. Segundo João Paulo, sociedade, profissionais e estudantes ligados à saúde devem compreender que é fundamental a promoção da igualdade gênero, fazendo com que as mulheres tenham acesso à renda e a produção dessa.

Confira todas as palestras e a apresentação de Maria do Carmo Leal na Biblioteca Multimídia da ENSP. Assista ainda uma entrevista exclusiva de Maria do Carmo Leal à ENSP TV e leia o sumário executivo temático da pesquisa Nascer no Brasil.

Direito adquirido




Pais poderão acompanhar bebês 24h por dia no hospital

Com informações da Agência Saúde

Mães e pais poderão permanecer perto de seus bebês 24h por dia durante todo o período que a criança estiver na maternidade.

O direito foi garantido por portaria assinada pelo ministro da Saúde, Arthur Chioro.

Pela nova norma, todos os recém-nascidos possam ter acompanhantes em qualquer área do hospital, inclusive na UTI Neonatal.

Até então, a legislação brasileira previa acesso livre aos pais ou responsáveis nas maternidades, mas sem estabelecer que a circulação deles pudesse ser em qualquer horário.

"Essa portaria garante o cuidado e o acompanhamento na UTI da mãe, do pai ou do responsável por 24h. Isso é fundamental e acaba com a história que UTI Neonatal não pode ter acompanhante. Estamos garantindo o acesso dos pais em toda a rede pública de saúde, destacou o ministro Arthur Chioro.

Garantir a presença dos pais da criança nos locais onde o bebê estiver nas maternidades passa a ser requisito para que uma unidade receba a classificação Hospital Amigo da Criança, projeto realizado pelo Ministério da Saúde em parceria com Unicef que garante incentivos às unidades que mantém assistência humanizada e qualificada às mães e aos bebês.

Atualmente, 321 hospitais brasileiros possuem esse título.

Esperança com luz

Câncer poderá ser tratado com luz

Redação do Diário da Saúde


 

Câncer poderá ser tratado com luz
A área irradiada a laser (o quadrado branco) mostra células cancerosas vivas (verde), bem como células mortas de câncer (vermelho) como resultado da irradiação da luz.[Imagem: Universidade de Buffalo]
Terapia fotodinâmica
A terapia fotodinâmica - o tratamento de doenças com o uso de luz - revolucionou o tratamento de tumores de fácil acesso, como o câncer da pele.
Mais recentemente, ela começou a ser usada em outros tratamentos superficiais, como a eliminação de bactérias nos dentes.
A terapia fotodinâmica usa lasers ou outras fontes de luz, incluindo LEDs, para ativar medicamentos encapsulados em agentes especiais chamados agentes fotossensibilizantes.
O medicamento pode ser ingerido ou aplicado na veia, mas, ao contrário da quimioterapia, que atinge todo o organismo, causando uma série de efeitos colaterais, na terapia fotodinâmica o medicamento só é ativado localmente, no próprio tumor, depois que a luz incide sobre ele.
Contudo, como a luz precisa incidir sobre o local tratado, o procedimento não beneficiou os pacientes com tumores internos, que são a maioria dos casos.
Isso agora começou a mudar, graças a uma nova tecnologia que pode levar o tratamento do câncer à base de luz para dentro do corpo.

Conversão de luz
A luz visível normalmente usada nos procedimentos de terapia fotodinâmica não penetra bem pelos tecidos.
Por outro lado, a luz infravermelha penetra fundo nos tecidos, mas não consegue ativar os medicamentos de forma eficiente.
Tymish Ohulchanskyy e seus colegas da Universidade de Buffalo (EUA), tiveram então uma ideia: usar feixes de luz na faixa do infravermelho próximo que, ao penetrar profundamente no corpo, são convertidos em luz visível, que então ativa a droga e destrói o tumor.
O feixe de laser de infravermelho interage com o colágeno, uma proteína natural existente nos tecidos conjuntivos. Essa interação muda a frequência da luz, que passa de infravermelha para luz visível, um processo conhecido como geração de segundo harmônico.
Da mesma forma, as proteínas naturais e os lipídios nas células interagem com a luz infravermelha do laser, alterando-a para luz visível através de um outro processo, chamado de mistura de quatro ondas.
Assim, tirando proveito de dois fenômenos físicos já conhecidos, a luz visível pode ser gerada em tumores dentro do corpo, viabilizando o uso de toda a técnica desenvolvida ao longo dos anos para os tratamentos fototerápicos superficiais.

A universidade anunciou que já está discutindo acordos de licença com empresas interessadas em comercializar a nova tecnologia, que deverá chegar ao mercado em pouco tempo.