Posted: 06 May 2012 04:31 AM PDT
A
análise do consumo de redutores de apetite e do antidepressivo
fluoxetina (princípio ativo do Prozac) sugere que as duas substâncias
vinham sendo usadas de forma combinada, conduta que não é recomendada se
o objetivo é só emagrecer.
A associação das drogas é
defendida por alguns médicos para pacientes obesos e com depressão ou
compulsão por comida. Por outro lado, a combinação dos remédios pode
indicar um uso abusivo com foco na redução do peso, explicam
especialistas.
Problemas com esse tipo de
associação foram objeto de pesquisa realizada pelo Cebrid (Centro
Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas) há três anos.
Agora, a união entre os
moduladores de apetite anfepramona, mazindol e femproporex (banidos pelo
governo no ano passado) e da sibutramina (mantida com novas regras) com
o antidepressivo fluoxetina foi medida em estudo publicado na edição de
fevereiro da "Revista da Associação Médica Brasileira".
A pesquisa, que mediu as vendas
dos remédios no país, dá fortes indícios de que o consumo casado vinha
sendo prática corrente. No entanto, o trabalho não verificou as receitas
em si.
| Editoria de arte/Folhapress | ||
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Foram analisadas
várias situações que poderiam estar relacionadas ao uso dos
emagrecedores em 2009, ano de coleta dos dados, como ser do sexo
feminino, ter maior renda e escolaridade ou consumir certas substâncias.
"Para nossa surpresa, a variável
mais significativa foi a relação entre a fluoxetina e os moduladores de
apetite, o que não é recomendado nem pelo Conselho Federal de Medicina
nem pela Anvisa", explica Daniel Mota, técnico especializado em
regulação e vigilância sanitária da Anvisa (Agência Nacional de
Vigilância Sanitária) e autor da pesquisa -feita de forma independente
da agência.
O estudo, feito com um modelo
econométrico que agrega a venda nacional dos medicamentos e a população
adulta brasileira, conclui que cada 1 mg/per capita de aumento no
consumo do antidepressivo produz a elevação do consumo de moduladores em
1,66 mg/per capita.
Walmir Coutinho, do departamento
de obesidade da Sbem (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e
Metabologia), diz que não recomenda o uso associado dos remédios por
faltarem estudos que atestem sua segurança.
Ele explica que o consumo
isolado da fluoxetina leva à perda de peso, mas esse efeito acaba sendo
revertido depois. Por isso o antidepressivo não é usado como
emagrecedor. Para Coutinho, a mistura de vários elementos em fórmulas
para emagrecer é a venda de uma "ilusão".
Cláudia Cozer, uma das diretoras
da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade), afirma que
a combinação das drogas pode causar letargia e apatia, mas relativiza
os danos quando o uso é por tempo limitado com acompanhamento médico.
Um dos usos benéficos da combinação, diz Cozer, é no controle da ansiedade e da compulsão alimentar.
Para o endocrinologista Alfredo
Halpern, o problema está no uso casado em fórmulas para emagrecer. "Vi
fórmulas absurdas, que juntam não só anfepramona e femproporex com
fluoxetina mas diurético, hormônio de tireoide. É condenável. Por outro
lado, o indivíduo pode precisar de uma fluoxetina porque é ansioso ou
deprimido, não há por que proibir."
Fonte Folhaonline

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