Posted: 05 May 2012 04:42 AM PDT
Sintomas pouco específicos e ausência de exames característicos dificultam o reconhecimento da doença
Aos 29 anos, Ana Paula Ferreira
do Nascimento teve que rever seus planos de ter filhos. A barriga que
crescia a olhos vistos não era sinal de que a farmacêutica estava
grávida, mas sim de um tumor maligno que comprometeu os dois ovários,
parte do intestino e do peritônio.
“Eu tinha um leve sangramento e
dor. Depois, a barriga foi crescendo. Parecia que eu estava grávida, eu
ia ao banco e as pessoas me davam licença na fila”, conta.
Um ultrassom transvaginal
confirmou o câncer. O tamanho preocupou os médicos e levou-a para a mesa
de cirurgia dias depois do diagnóstico para retirada dos ovários. A
notícia não abalou a moça de sorriso fácil, que fala da doença com
simplicidade, coragem e determinação.
“Deixaram o útero para que eu
pudesse tentar ter filhos com inseminação”, afirma. “Decidi lutar. Essa
coisa não nasceu comigo, então eu tenho que ser mais forte”, diz.
Apenas alguns meses após a
primeira operação, Ana Paula teve que passar por uma segunda cirurgia,
na qual parte do peritônio foi retirada. Agora, começou as sessões de
quimioterapia.
“Os cabelos não vão cair, mas na cirurgia tiraram meu umbigo”, ri.
O Instituto Nacional de Câncer
(INCA) estima o diagnóstico de 6.190 novos casos de câncer do ovário em
todo o País este ano. A cada 100 mil mulheres, seis devem desenvolver a
doença semelhante a de Ana Paula. O câncer de ovário é o sétimo mais
incidente na população e, em 2009, 2.963 mulheres morreram vítimas dele.
“Os sintomas não são
específicos, por isso, as mulheres se confundem e o diagnóstico precoce
se torna mais difícil”, afirma Glauco Baiocchi Neto, diretor do
departamento de ginecologia do Hospital A.C. Camargo, em São Paulo.
Em estágio mais avançado, o tumor pode pressionar a região, causando dor, inchaço, prisão de ventre ou sangramento.
“Ainda não temos novos exames
nessa área. É o tipo de câncer que temos mais dificuldade de
diagnosticar”, completa Elza Mieko Fukazawa, ginecologista do mesmo
hospital. Por esses motivos, cerca de 3/4 dos cânceres desse órgão
apresentam-se em estágio avançado no momento do diagnóstico. Segundo
Baiocchi Neto, 85% dos casos estão no epitélio, a camada que dá
sustentação.
Os principais fatores de risco
são histórico familiar e idade (a maioria dos casos aparece na
menopausa). Episódios como o de Ana Paula, em que a doença se manifesta
antes dos 45 anos, são raros: apenas 1 em cada 15.
Essa doença tem um forte
componente genético e está ligada aos genes BRCA1 e BRCA2, que também
podem causar câncer de mama. Em geral, mulheres com esses genótipos têm
de 45% a 25% mais chance de desenvolver câncer em qualquer fase da vida.
Outros fatores de risco
importantes são a terapia de reposição hormonal, o tabagismo e a
obesidade. Além disso, alguns estudos reportam uma relação direta entre o
desenvolvimento do câncer ovariano e a menopausa tardia, alerta o INCA.
Mulheres com endometriose também
devem ficar atentas. A inflamação ocasionada no endométrio pode
contribuir para o aparecimento do câncer de ovário.
“Estudos sugerem que o risco de
câncer do ovário dobra em mulheres portadoras dessa doença em comparação
com as que não a têm”, afirma o Instituto Nacional de Câncer.
Alguns estudos apontam o uso de
pílula anticoncepcional por mais de cinco anos como um fator protetor
contra esse tipo de neoplasia.
“É como se você deixasse o ovário quietinho, sem ovular, por todo esse tempo”, explica Baiocchi Neto.
Fonte Delas
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