sexta-feira, 9 de maio de 2014

Valorização



09/05/2014 - Saúde

Procuradoria defende valorização das parteiras

Debate promovido ontem pela Procuradoria Especial da Mulher no Senado e pela Secretaria da Mulher na Câmara reuniu defensoras do parto humanizado e do combate à violência obstétrica
Debate que integra a programação do Quintas Femininas abordou a necessidade de valorizar as parteiras tradicionais Foto: Lia de Paula
A valorização das parteiras tradicionais e a humanização do parto foram os temas escolhidos para o Quintas Femininas de ontem, que antecede a celebração do Dia das Mães. O debate reuniu parteiras, enfermeiras e doulas (acompanhantes em parto) que defendem o parto mais humano e natural e o combate à chamada violência obstétrica.
 A escolha do tema foi inspirada no Dia Internacional das Parteiras, celebrado em 5 de maio por definição da Organização Mundial da Saúde (OMS). O Projeto Quintas Femininas é promovido pela Procuradoria Especial da Mulher no Senado e pela Secretaria da Mulher na Câmara dos Deputados.

O debate foi presidido pela deputada Janete Capiberibe (PSB-AP). Segundo ela, mesmo com a urbanização, no Amapá muitas mulheres têm bebês com parteiras, que estão organizadas e recebem capacitação e ajuda do estado desde 1995. Ela disse que, em 2003, houve a interrupção do apoio do governo às parteiras, mas o trabalho foi retomado em 2011 e no ano seguinte foi realizado o 2º Encontro Internacional de Parteiras.

Para a presidente da Rede Estadual das Parteiras do Amapá, Maria Luiza Dias, as parteiras merecem se aposentar como qualquer outro trabalhador.

— E quero fazer um apelo a esta Casa de lei: que dê essa valorização para as parteiras. Que elas possam ter direito a uma aposentadoria pelo ato de partejar, porque também é uma profissão — disse.

A parteira, enfermeira e professora da Universidade de Brasília Silvéria Santos afirmou que há uma tendência no Brasil de desqualificar o nome “parteira”. Ela explicou que a arte de partejar é transmitida oralmente nas comunidades, mas que também há as parteiras formadas e capacitadas.

Violência obstétrica
A enfermeira da Câmara dos Deputados Juliana Resende  Monteiro alertou sobre a violência obstétrica que vem ocorrendo no Brasil e no mundo. Ela disse que muitos médicos impõem procedimentos, como a cesariana, e as mulheres não conseguem opinar, por causa da relação de confiança criada no pré-natal e porque os médicos colocam os riscos sob responsabilidade das pacientes.

Segundo Juliana, nos últimos dez anos, o número de cesáreas aumentou de 38% para 52%, tanto na rede privada quanto na pública. Ela listou alguns direitos que a mulher tem na hora do parto, como a autonomia de ter uma escolha informada, a liberdade de posição no trabalho de parto, a privacidade e a segurança, a escolha dos procedimentos relacionados a seu corpo, o acesso a métodos não farmacológicos de alívio da dor e o contato com o bebê e a amamentação na primeira hora de vida.

Casa de parto
A enfermeira Jussara Vieira coordena a Casa de Parto de São Sebastião, que tornou-se referência em parto humanizado no Distrito Federal dentro do SUS. A casa foi criada em 2001 na Unidade Mista de Saúde de São Sebastião e, desde 2009, funciona sem presença de médico na assistência ao parto. De acordo com a enfermeira, quando é necessário atendimento médico para a mãe ou para o bebê, o paciente é encaminhado em ambulância ao Hospital do Paranoá.

Com um ambiente acolhedor, financiado pela equipe que trabalha no local, a casa de parto acolhe a mulher e a auxilia no trabalho de parto, que acontece todo num mesmo quarto, com a presença do acompanhante que a paciente escolher e sem a utilização de procedimentos invasivos desnecessários. Em abril, foram realizados 43 partos no local.

— Ainda existe aquela desconstrução do serviço que não tem o médico. Mas cinco anos de história da casa de parto fizeram com que a visão da mulher fosse totalmente modificada — afirmou Jussara.

Jornal do Senado
(Reprodução autorizada mediante citação do Jornal do Senado)

Nenhum comentário:

Postar um comentário