Câncer de laringe atinge até 10 mil casos por ano no Brasil
Doença atinge de 8 mil a 10 mil casos por ano no Brasil, além de representar cerca de 25% dos tumores malignos da cabeça e pescoço.
por Wander Veroni
Neste último final de semana, após uma série de exames no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi diagnosticado com Câncer de Laringe. De acordo com o boletim médico do hospital, Lula será inicialmente tratado por quimioterapia e deve ter alta nesta terça-feira (1º). Em seguida, ele ficará alguns dias em casa recebendo medicamentos por uma bolsa de infusão no lado direito do peito.
No entanto, a doença do ex-presidente serve de alerta principalmente para homens acima de 50 anos que fazem consumo em excesso de álcool e tabaco. A orientação é do Instituto Nacional do Câncer (INCA), que afirma que o Câncer de Laringe atinge de 8 mil a 10 mil casos por ano no Brasil, além de representar cerca de 25% dos tumores malignos da cabeça e pescoço e 2% de todos os existentes.
Uma pesquisa do INCA mostra também que os fumantes tem 10 vezes mais chances de desenvolver câncer de laringe. Em pessoas que associam o fumo a bebidas alcoólicas, esse número sobe para 43. Além disso, a má alimentação, estresse e mau uso da voz são fatores prejudiciais e que contribuem para o aparecimento da doença. Aproximadamente 2/3 desses tumores surgem na corda vocal verdadeira e 1/3 acomete a laringe supraglótica, acima das cordas vocais.
De acordo com o médico oncologista Dr. Enaldo Melo de Lima, que atua como Coodenador do Centro de Oncologia do Hospital Mater Dei, em Belo Horizonte, e é ex-presidente nacional da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, não existe auto exame para câncer de laringe e, basicamente, o fumo, alcoolismo e infecção pelo vírus do papiloma humano (HPV) são os principais fatores de risco da doença. “É possível evitar na quase totalidade dos casos não fumando e não consumindo álcool em excesso. Os principais sintomas são dificuldade para engolir, aparecimento de nódulos no pescoço e rouquidão acima de 15 dias que deve servir de alerta para o paciente procurar um médico”.
O especialista esclarece que nem sempre os problemas na laringe, quando não tratados, podem desenvolver, futuramente, um câncer de laringe. “Depende do problema. Na maior parte das vezes é mito em caso de laringites de repetição não relacionada a tabagismo, etilismo ou infecção por HPV”, enfatiza Dr. Enaldo.
O médico oncologista lembra também que o paciente de Câncer de Laringe pode perder os dentes, a voz e a deglutição, caso não comece o tratamento a tempo. “Sim, há perda da voz em caso de amputação da laringe, assim como em seqüelas decorrentes da terapia ontológica da mesma a possibilidade de deglutição. Quanto aos dentes pode ser secundário ao tratamento quimioterápico e radioterápico”. Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece o tratamento da doença. Na maior parte dos casos, a doença é tratável e as chances de cura estão acima de 50%.
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