Materiais educativos sobre hanseníase têm acesso aberto
Publicada em
*Adriana Martins
Problema grave de saúde no Brasil, a hanseníase chama a atenção das
autoridades públicas pelo número elevado de casos registrados pelo
Ministério da Saúde: só em 2011 foram mais de 33 mil. Embora o
Ministério tenha substituído, desde 1976, o termo lepra por hanseníase, a
comunicação sobre a doença ainda representa um desafio no contexto dos
serviços de saúde. Para contribuir com as práticas comunicativas
vigentes no campo desse agravo, pesquisadores da Fiocruz lançaram o Banco de Materiais Educativos sobre Hanseníase em acesso livre.

A iniciativa pioneira reúne um acervo eletrônico com 276 materiais
impressos, produzidos por instituições governamentais e não
governamentais. O projeto é resultado da tese de doutorado A palavra & as coisas: produção e recepção de materiais educativos sobre hanseníase,
defendida na Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP), em
2009, por Adriana Kelly Santos, sob orientação de Simone Monteiro, do
Laboratório de Educação em Ambiente e Saúde (Leas) do Instituto Oswaldo
Cruz (IOC).
Adriana Kelly, atualmente
pesquisadora do Laboratório de Comunicação e Saúde (Laces) do Instituto
de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict),
considera que "o banco representa uma contribuição para que as práticas
de comunicação possam ser recuperadas e organizadas, otimizando ações e
recursos no enfrentamento da hanseníase". Entre os produtos, há
cartilhas, fôlderes, jogos, periódicos, cartões postais, adesivos, além
de outros materiais, datados desde a década de 1970. O banco apresenta
informações de cada material, indicados por formato, autores, objetivos,
temas abordados, contendo, ainda, suas descrições detalhadas.
O projeto não representa apenas uma organização sistemática de
material, segundo afirmam as autoras do projeto, Adriana Kelly e Simone
Monteiro. O objetivo é contribuir com a democratização da informação e a
memória das práticas comunicativas promovidas por instituições
governamentais e não governamentais do país. Além disso, a iniciativa
busca subsidiar pesquisas nos campos da informação, da comunicação e da
saúde capazes de orientar as ações futuras dos programas de controle de
hanseníase do Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil, nas esferas
municipal, estadual e federal.
Sobre a doença
A hanseníase é uma doença crônica proveniente de uma infecção causada pelo bacilo Mycobacterium leprae,
capaz de infectar um grande número de pessoas. O agravo, antigo, tem
seus primeiros registros em 600 a.C., nas regiões da Ásia e África.
Investimentos em melhores condições de vida, nos serviços da atenção
primária do SUS e em conhecimento científico são fundamentais para o
enfrentamento do quadro atual da doença. Apesar de ter tratamento e
cura, ela ainda é endêmica em nosso país.
Hanseníase no Brasil
No Brasil, cerca de 33 mil casos novos são detectados a cada ano, sendo
7% deles em menores de 15 anos. Assim, o MS considera necessário
intensificar as ações de vigilância da hanseníase, voltadas ao
diagnóstico e ao tratamento da doença, especialmente nas regiões que
apresentam maior concentração de casos.
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